Conisa Empreendimentos

NOTICIAS

Construção passa, qualificação fica

 

Uma das maiores demandas identificadas na construção dos parques diz respeito à mão-de-obra qualificada para erguer os empreendimentos. Para o diretor regional do Serviço Nacional de Atualização Industrial do Estado (Senai/RN), Rodrigo Mello, isso ocorre devido a localização das fazendas eólicas em municípios pouco desenvolvidos economicamente. Na lógica da indústria dos ventos, vale o melhor potencial eólico, o que deixa as empresas longe de centros urbanos ou industriais, onde se encontra com mais facilidade profissionais capacitados para assumir as vagas. "Via de regra esses profissionais não estão disponíveis", constata.

O quadro apresentado pelo Senai/RN é confirmado pelo chefe do gabinete civil da prefeitura de João Câmara, Armstrong Bezerra, que reconhece a dificuldade das empresas em absorver a força de trabalho do município. Rodrigo Mello relata uma corrida contra o tempo para formar profissionais aptos a atender uma demanda que não para de crescer. "Quando você tem uma velocidade de crescimento dessa falta tudo para o setor industrial: equipamentos, insumos e pessoas para operar", explica o diretor regional do Senai/RN, enfatizando ainda o ritmo acelerado de captação dos empreendimentos. Apesar de tudo, Mello enxerga a situação pelo lado positivo. "Tem problemas que você não gostaria de ter, e existem os bons problemas que nos satisfazem. O ruim é quando decresce", avalia.

Mello ressalta ainda que não se pode tentar resolver a questão por impulso, principalmente por se tratar de uma demanda que ocorre exclusivamente durante a fase de construção. ''A gente não pode simplesmente montar uma estrutura gigante. Se é temporário, eu faço o que com meu investimento depois? Isso seria uma irresponsabilidade com os recursos do Senai'', conclui. No plano de capacitação para os projetos eólicos, o Senai/RN vem apostando em um trabalho próximo aos operadores. O diretor regional conta que a formação direcionada ao setor começou pela base, no ano passado, e em 2011 novas metas foram traçadas. ''Sentamos com os atores da cadeia da energia eólica. Leia-se desde a pessoa da empresa que cuida do canteiro de obras do parque ou na preparação das estradas, até as empresas de tecnologia. Desenvolvemos 14 perfis profissionais que originaram cursos, dos quais já são oferecidos sete'', revela.

Nas chamadas atividades transversais, que servem para todo o setor industrial, como mecânicos de manutenção e elétricos industriais, o Senai/RN chegou a marca de três mil capacitados em 2011, de acordo com Rodrigo Mello. Em municípios como Jandaíra, Touros e Parazinho, já foram qualificadas turmas somente para construção civil. Além disso, ainda em 2010 foi aberta a pós-graduação em energia eólica, que vem sendo procurada por profissionais de todo o Brasil. ''Temos uma imensa avenida para transitar, mas estamos em um caminho já um pouco longe do zero'', afirma o diretor regional do Senai/RN.

Sobre uma inevitável queda drástica na empregabilidade depois que os projetos estiverem operando, Rodrigo Mello lembra que o processo de esvaziamentose estenderá com os profissionais capacitados podendo migrar para outros municípios que receberem parques nos anos seguintes. O diretor regional também lembra um detalhe importante. ''Ao final do período a pessoa simples que se capacitou para trabalhar naquele momento passa a ser um profissional qualificado com experiência para entrar no mercado''. Ou seja, a construção passa, mas a capacitação fica.

 

Fonte: Diário de Natal